Institucional

Entrevista

1- Há 10 anos, você decidiu abrir sua própria escola de idiomas e este ano, recebeu o título de doutora. A busca por oferecer um ensino diferenciado foi o que a motivou a fazer o doutorado?

RHS - Fui professora de inglês e francês em muitas escolas de idiomas, mas a metodologia praticada por essas instituições parecia não suprir a necessidade dos alunos e por mais tempo que passasse nos cursos, os alunos não estavam se desenvolvendo para alcançar o objetivo principal, falar o idioma “aprendido” de forma fluente. Decidi , portanto, fazer o doutorado para buscar algumas respostas e entender porque a metodologia aplicada nas escolas não era suficiente para dar conta das necessidades dos alunos. A partir do meu estudo, construiu um novo olhar sobre a questão de ensino – aprendizagem de maneira ampla.


2- De que consiste este novo olhar?

RHS - Na ULS consideramos o estudo de idiomas de uma forma argumentativa crítica e colaborativa. O aluno está em sala de aula e precisa debater a matéria com o professor, sem ser um método de pergunta e resposta, onde é seguido apenas o conteúdo do livro. Utilizando o material didático de forma argumentativa, colaborativa e crítica. O método é baseado nesses três pontos. É comum encontrarmos alunos que cursaram durante anos uma escola de idiomas, mas que não conseguem falar e desenvolver um diálogo. Por que isso acontece? Provavelmente, porque não foram criadas possibilidades para que o aluno saísse do local de ouvinte passivo e assumisse um papel de interlocutor das aulas. Na ULS, o aluno tem possibilidades de exercitar a sua oralidade de forma intensa e crítica. Os professores não ensinam a gramática pela gramática, mas sim ensinam a língua pela língua, ou seja todas as habilidades são desenvolvidas através da oralidade a leitura também é um ponto forte da ULS, pois os alunos discutem e percebem a importância dos aspectos lingüísticos através das discussões sobre o conteúdo dos textos. Outro ponto importante é oferecer aulas individualizadas que permitem ao professor descobrir o potencial de cada aluno, o que contribui para o desenvolvimento de habilidades necessárias para a aprendizagem do idioma. O respeito à individualidade e ao ritmo de cada um permite que o educador torne as aulas mais direcionadas, possibilitando o alcance do conteúdo de forma rápida e sólida. O mundo e o mercado precisam de formas mais eficazes e rápidas.


3- Sua tese de doutorado foi baseada em um estudo de cinco anos realizado em uma escola da Rede Oficial de Ensino de Carapicuíba. O resultado obtido mudou sua forma de ver o ensino?

RHS – O trabalho foi baseado em uma metodologia crítica de colaboração e os resultados mostraram que a colaboração, engajamento e planejamento nas atividades em sala de aula é de suma importância. Isso vale para todas as áreas, não só para o ensino de línguas. O que garante o aprendizado é a relação de cumplicidade que os professores têm enquanto estão ensinando e ainda quais são seus objetivos e planejamentos. Por isso, precisamos ter um olhar crítico para os profissionais que estão em sala de aula. O trabalho que realizo na PUC junto com outros professores é baseado na idéia que o processo de ensinar e aprender envolve construção de significados compartilhados e é isso que trago para a ULS, tanto para as aulas individualizadas, para as aulas do programa cidadão e na formação de professores. Ao professor não cabe apenas dominar o conteúdo da matéria, mas, sobretudo ter sido formado dentro de uma visão crítica e criativa. Muitos educadores optam por atividades rotineiras e não buscam se aperfeiçoar, não vão a busca de formação. Enquanto as escolas não tiverem a visão de seu papel transformador e formador, o ensino não progredirá, na verdade, o que se precisa é de formação, e isso justifica a minha idéia de no próximo ano, ministrar cursos de formação para os professores. Meu grande objetivo é melhorar o ensino no país.


4- Professora, as instituições de ensino no país oferecem em sua grade curricular aulas de idiomas, principalmente inglês. Por que mesmo assim, os alunos precisam recorrer aos institutos de línguas?

RHS - O Brasil é um dos únicos países do mundo onde os estudantes precisam recorrer a escolas de idiomas. Isso acontece, pois os colégios se ausentaram da responsabilidade de realmente ensinar línguas. Por que não encontramos cursos especializados em física, matemática e portuguesa? Educação é um assunto muito sério, por isso que eu insisto na importância de formar professores críticos.